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Preço do leite recua em Minas Gerais pelo 5º mês consecutivo

Agropecuária | Publicada em 09/11/2017

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a queda nos valores pagos pelo leite se deve ao aumento da produção e à demanda enfraquecida. Em outubro, referente à produção entregue em setembro, o pecuarista de Minas Gerais recebeu, em média líquida, R$ 1,03 pelo litro de leite, o que significou retração de 5,63% na comparação mensal. Em relação a outubro de 2016, a queda já chega a 27,9%.

Em Minas Gerais, o valor médio bruto praticado em outubro foi de R$ 1,13, preço que ficou 5,69% menor que o verificado em setembro.

Na média Brasil, composta pelos estados da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás, o recuo no valor líquido do leite foi de 7,3% frente ao mês anterior, com o produto negociado a R$ 1,00 por litro.

O levantamento feito pelo Cepea mostrou que a captação de leite em Minas Gerais e em outros importantes estados produtores apresentou alta, o que contribuiu para mais um período de retração nos preços pagos aos pecuaristas, uma vez que o mercado consumidor segue retraído em função do menor poder de compra das famílias.

Na média Brasil, houve um aumento na captação, de agosto para setembro, de 4,19%. Os pesquisadores do Cepea ressaltam que nos estados do Sul do País, a captação continuou crescente, porém, em menor intensidade frente aos meses anteriores. Em Minas Gerais, o período de safra ainda não ganhou força devido aos baixos volumes de chuvas, levando ao avanço na produção de apenas 3,1%. De julho para agosto o incremento na captação da média Brasil foi de 5%.

A zootecnista e analista de mercados da Scot Consultoria, Juliana Pila, explica que, ainda que o aumento da produção de leite tenha sido menor que o verificado nos meses anteriores, a demanda enfraquecida por parte dos consumidores é o principal fator que vem provocando a queda nos preços pagos pelo leite.

A queda verificada nos preços, segundo os cálculos da Scot, também ficou menor no período. Na média nacional da Scot, o litro de leite foi negociado a R$ 1,06 por litro, sem frete. Comparando com mês anterior, o recuo foi de 2,5%.

“Apesar de ser considerável, a queda nos preços foi menor que a verificada no pagamento anterior, que foi de 3,6%. O principal motivo para a desvalorização dos preços do leite é o consumo, que está bastante fraco. O aumento da produção e o consumo não acompanhando vem pressionando todos os elos da cadeia leiteira. Em outubro, houve uma recuperação dos preços dos lácteos nos supermercados, mas não em função da melhora do consumo. A alta aconteceu porque a indústria vem trabalhando com margens negativas e está tentando recuperar estas perdas. Para o produtor, uma possível recuperação dos preços ainda dependerá do aumento do consumo”, explicou Juliana.

Expectativas

Para os próximos meses, as expectativas ainda são incertas e tendem entre uma nova queda e a estabilidade dos valores. Cerca de 48% dos agentes consultados pelo Cepea, que representaram 47,5% do volume de leite amostrado, acreditam que os preços em novembro devem registrar novo recuo. Por outro lado, 43,8% dos colaboradores, que representam 46,2% do volume amostrado, apostam em estabilidade. Somente 8,3% ou 6,3% do total acreditam que o preço pago ao produtor pode subir.

A analista de mercados da Scot Consultoria explica que em dezembro e janeiro a tendência é de queda no consumo de leite UHT em função do período de férias e festas de fim de ano. Porém, neste período, a demanda por produtos lácteos de maior valor agregado, como creme de leite, leite condensado e manteiga tende a aumentar.

“O consumo de lácteos, principalmente de maior valor agregado, está muito relacionado com poder de compra do consumidor e o momento de crise econômica influencia negativamente no consumo. Por outro lado, alguns indicadores econômicos como a recuperação do Produto Interno Bruto, pagamento do 13º salário e a tendência de aumento das vagas temporárias podem ajudar a elevar o consumo. A expectativa é de melhora dos preços para os produtores no médio e longo prazos”, disse Juliana.

Fonte: Diário do Comércio

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